segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Várias marcas, várias cores, texturas e nomes. Esmaltes!

Nos últimos anos os esmaltes deixaram de ser um mero adorno para se tornarem um acessório de moda. Somente no ano de 2009, a produção cresceu 36%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene, Perfumaria e Cosméticos. As mulheres da atualidade não se satisfazem só em pintar as unhas, querem estar atualizadas sobre as últimas tendências em cores e esperam que sua manicure disponha dos últimos lançamentos.

Neste cenário competitivo, não basta lançar a cor do momento. É preciso fazer dela um objeto de desejo. É aí que a criatividade e o marketing entram.

Algodão Doce, Amante, Canoa, Carícia, Cigana, Magia, Neném, Obsessão, Odara, Polar, Renda, Tanga, Tufão, Vendada, Via Láctea. Os nomes de esmaltes remetem às mais variadas situações. Alguns remetem até a uma viajem - é o caso do Dream Poppy, cuja tradução é “uma viagem na manicure”, - enquanto você fica ali sentada na cadeira do salão tipo ‘divã’.

Hoje, as principais marcas do mercado têm reuniões seríssimas para decidir que o que o que antes era chamado de vermelho agora se chama Deixa Beijar, que o Sereia é o novo verde, e que Preguicinha é sinônimo de rosa.
Hippie Chic, Final Feliz, Mini Saia, Samba Juliana, Ti Ti Ti, Rebú, Dengo, Epopéia, Fofo, Gaia, Gatinha, Gilda, Hera, Ilusão.
Alguns nomes chegam a dar medo! O mais assustador talvez seja o que leva o nome de Conquistadorable. Parece até um nome elegante, mas na verdade o nome faz referência à Inquisição Espanhola, que matou um monte de judeus e muçulmanos convertidos. Nada bonito.

Mas daí você pára e pensa: Que critério as empresas de esmaltes seguem para batizá-los e quem o faz - como se cria uma coleção de esmaltes? Na loja as consumidoras podem se guiar pela cor que desejam, mas no salão de beleza normalmente pedem o esmalte que querem usar pelo nome. E esses nomes têm a ver com a cor – ou não. Isso depende da marca a que eles pertencem e o conceito que sugerem.

Na Impala, o coordenador de produto Victor Munhoz é o responsável por dar nome às cores. Victor diz que na última vez em que fez o processo de batismo, precisou de um mapa da região litorânea brasileira. “A idéia foi pensar em balneários pouco conhecidos.” Razão para o laranja vibrante virar Aleixo e o coral discreto virar Xaréu.

Essa não foi a única linha com nomes temáticos: Cida e Luzia são parte de uma homenagem a algumas das manicures célebres do país; Elis e Gal, de esmaltes com uma cobertura especial e brilho proporcional ao das cantoras de MPB; e Valentina e Barbarella vêm de grandes ícones do cinema. “Por isso que a nossa Penélope não é rosa, é a Cruz, mesmo”, explica.
O problema é com os nomes estrangeiros. “O esmalte é um tipo de produto que atende da classe A até a E, então evitamos nomes em inglês como o Pin-Up. Os mais difíceis de pronunciar acabam vendendo menos.”

Na Colorama, a equipe de marketing faz com que o consumidor ligue os nomes com o seu estado de espírito.“O esmalte entra nesse universo pra tornar tudo mais lúdico e interessante”, comenta Adriana Garcia, Gerente de Produto da marca. Alguns bons exemplos são o Batom Vermelho, que representa a busca pelo vermelho sedutor; e Atrevida, uma cor mais animada e arrojada. "Acompanhamos junto com nossos escritórios de Nova York e Paris as tendências de moda que estão nas passarelas e desenvolvemos as cores e o tema-conceito da campanha. E é em torno desse tema que giram os nomes dos esmaltes", explica Adriana.
“Imagine se no mundo colorido e divertido dos esmaltes os nomes se limitassem a Vermelho 1, Vermelho 2, Vermelho 3…brinca.”


No caso da Risqué, quem batiza cada cor é Mel Girão, que também é diretora da unidade da beleza e higiene da Hypermarcas. Em uma entrevista à Revista Abril, Mel afirmou que a inspiração está no que é tendência da moda internacional e nos palpites das consumidoras. “Para esse trabalho, temos como parceiro o estilista Reinaldo Lourenço há cinco anos. Ele apresenta sua inspiração e referência de cores e texturas para a equipe, que traduz isso em um briefing técnico. São dois lançamentos por ano, dentro do calendário da moda do São Paulo Fashion Week: primavera-verão e outono-inverno. As linhas são lançadas para o varejo e ano após ano atingem imenso sucesso. Uma tradução da moda das ruas e das vitrines para os esmaltes."

No caso da linha que a marca lançou no último desfile de Lourenço, por exemplo, eles faziam referência ao tema da coleção de primavera-verão 2009/10 do estilista, o café. Dá até pra sair por aí com as unhas pintadas de Expresso ou de Menta!
Já a Big Universo têm uma maneira mais excêntrica de criar. Clarissa Ezaki, gerente comercial da Orion Cosméticos, explica que Gilmar Leite Siqueira, dono (e químico responsável) da marca, é chegado em astronomia. É por isso que encontramos no catálogo da marca, frasquinhos chamados Cosmos, Sideral e Fênix. Há também no mercado o esmalte Hadron que, na verdade, leva o nome de um acelerador de partículas.
Mas há casos e casos: o cobiçado Jade, verdinho que apareceu na passarela de outono-inverno 2009/10 da Chanel, ganhou um similar da marca com o nome… Jade. “Não dá pra evitar, as pessoas chamam as cores de esmaltes pelo nome”, afirma Clarissa.


Mas esqueça tudo o que você leu até agora. Nada se compara aos nomes super criativos da norte-americana O.P.I. A marca inova ao dar nomes ‘engraçadinhos’ aos esmaltes. Já pensou em ir à manicure e pedir pelo amarelo "Você Precisa de Óculos de Sol?" (Need Sunglasses?), pelo verde "Que Diabos de Shrek É Você?" (Who the Shrek Are You?) ou pelo "Laranja Atômico" (Atomic Orange)? Além desses nomes, a marca também reserva algumas frases ‘fofas’ para as suas cores, como o rosinha "Isso Não é Romântico?" (Isn't it Romantic?), o nude "Faz os Homens Ficarem Vermelhos" (Makes Men Blush ) e o cinza "Me Dê a Lua!" (Give me the Moon!).

O fato é que o esmalte deixou de ser um item básico para ser um acessório essencial no visual da mulher. Hoje há liberdade para ousar e também para ser mais básica, independente da idade, da ocasião ou do seu estado de espírito.

Quando e onde surgiram os esmaltes?


As mulheres, em sua maioria, se perdem na infinidade de cores (muitas delas com nomes incompreensíveis) que prometem um visual mais elogioso ou mais antenado. Além disso, vários violonistas empregam o material para que as unhas não quebrem durante uma apresentação.

Apesar de ser um acessório muito utilizado na contemporaneidade, o esmalte já integrava o cotidiano da realeza do Antigo Egito. Por volta de 3500 a.C. as mulheres egípcias aplicavam uma tintura de henna preta nas unhas. As cores mais vibrantes ficavam relegadas ao uso da família real e chegavam a despertar algumas preferências entre as rainhas do Egito. Cleópatra tinha uma clara preferência pela tonalidade vermelho-escura. Já Nefertiti tinha mais gosto pelo esmalte de tom rubi.

O mesmo poder de distinção social observado no uso do esmalte entre os egípcios também era perceptível entre os chineses. Em meados do século 3 a.C. o uso de tons vermelhos e metálicos (feitos com soluções de prata) significavam a ocupação de um lugar privilegiado na hierarquia social. Já entre os romanos, a pintura dava lugar a tratamentos com materiais abrasivos que faziam o polimento das unhas.

A tecnologia para o tratamento das unhas ficou relativamente estagnada até o século XIX. Nessa época, os cuidados se restringiam à obtenção de unhas curtas e que estivessem moldadas por uma boa lima. Em alguns casos, as unhas eram ligeiramente perfumadas com óleo e polidas com uma tira de couro.

Numa época em que o recato era uma importante virtude, a extravagância dos esmaltes não seria nenhum pouco prestigiada. Até essa época, uma das grandes descobertas foi a invenção do palito até hoje utilizado para a remoção das cutículas.
No começo do século XX, os esmaltes começaram a recuperar espaço com o uso de soluções coloridas que não permaneciam fixadas mais do que algumas horas. Somente em 1925, durante estudos que desenvolviam tinturas para carros, foram descobertas as primeiras soluções que se assemelham com os esmaltes de hoje.

Na sua primeira versão, o produto era de um tom rosa-claro e era aplicado no meio das unhas.
Chegando à década de 1930, já podemos notar que a “pintura” nos dedos do pé e da mão fazia muito sucesso entre as grandes estrelas do cinema hollywoodiano, como Rita Hayworth e Jean Harlow. No ano de 1932, os irmãos Charles e Joseph Revlon custearam a invenção de um novo tipo de esmalte, mais brilhante e com um leque variado de tonalidades.

Nas décadas seguintes, vemos que a tecnologia empregada foi se tornando cada vez mais complexa. As unhas postiças parecem como uma boa alternativa de se chamar atenção sem gastar horas na manicure. Há poucos anos foram disponibilizadas máquinas capazes de imprimir uma imagem digital nas unhas. Difícil é saber onde a indústria da beleza pode chegar a fim de atiçar a vaidade feminina...
E o desejo masculino. ;)

Texto:
Simone Novak Corrêa
Jhary Artiolli de Freitas


Fontes
http://msn.lilianpacce.com.br/home/nomes-de-esmaltes/
http://gloss.abril.com.br/beleza/conteudo/nomes-esmaltes-583898.shtml
http://www.bemresolvida.com.br/?p=2250
http://www.historiadomundo.com.br/curiosidades/historia-do-esmalte.htm
http://tudosobreesmaltes.com/2009/09/17/unhas-marmorizadas-ii/

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